Regulando a Torneira de Mesa com Sensor Decalux

Parece bobagem mas muitas vezes na correria de uma obra alguns detalhes passam desapercebidos e quando o cliente vai utilizar os produtos de mais alta tecnologia, as dúvidas mais frequentes são aqueles relacionadas a configuração dos equipamentos. Aqui, no caso em questão, vamos ilustrar com a configuração da Torneira de Mesa com Sensor Decalux, da marca Deca.

No manual do equipamento, há a menção de como fazer esta configuração, mas com frequência as equipes de obra dão sumiço nestes papeizinhos, além de desconhecer o produto em si. O que acontece é que a torneira, desconfigurada, parece estar louca, você passa perto dela e ela simplesmente aciona.

A seguir, alguns videos ilustrando o passo-a passo que também segue no manual.

Fica a dica, se a torneira começar a acionar como louca, sem aviso prévio, totalmente fora do padrão de regulagem, tente fazer este procedimento – quase como que um ctr+alt+del de um computador.

Abraços

Equipa Cápsula

Combustíveis e Arquitetura.

Ahhh… como eu queria ter visto uma manifestação do CAU sobre este assunto das altas dos combustíveis. Mas não vi – embora ainda esteja em tempo. Não vi por que mantenho o meu entendimento de que o CAU ainda está distante da realidade, do dia-a-dia da profissão dos arquitetos e urbanistas. Enquanto poucos escritórios são exemplos de sucesso, a grande massa segue ralando, com baixas remunerações cada vez mais esmagadas por custos elevados.

Softwares oficiais tem custos elevadíssimos. Impostos, aluguéis, celular…

E agora os combustíveis acabam por esmagar o pouco lucro que alguns conseguem ter.

Hoje em dia, por causa de uma grande mão-de-obra desqualificada, arquitetos e engenheiros se tornam quase que residentes nas obras, obrigando a um ir e vir sem fim. Visitas diárias, ou mais de uma vez por dia são comuns. Fora a pesquisa de materiais, visitas a lojas, eventos, congressos, feiras, custos que saem do bolso dos profissionais e de ninguém mais. Então, neste momento, apoiar uma mudança nesta política de preços dos combustíveis é o mínimo que arquitetos e engenheiros deveriam fazer, pela realidade das nossas profissões. Por que daqui a pouco estaremos falindo… e na sequência, embora não ocorra a curto prazo, nossas cidades estarão mais caóticas do que já estão!

Equipe Capsula

Imagem do site Uol/Folha: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/05/greve-de-caminhoneiros-autonomos-e-reforcada-com-adesao-de-transportadoras.shtml

Diário de um Projeto, Protótipo de Casa Popular, estudos iniciais e os problemas iniciais.

A proposta do “Diário de um projeto” é trabalhar da forma mais realista o cotidiano da experiência profissional na área da arquitetura, algo que muitas vezes é muito, muito distante dos grandes e glamorosos projetos. Por isso, optamos por dividir a experiência de um projeto protótipo, de uma casa popular.

Embora desde a contratação (as vezes até antes), nós arquitetos já estejamos com várias ideias “fervilhando” a cabeça, muitas vezes rabiscadas em um guardanapo de bar, é preciso começar o projeto real, com medidas reais para confirmar se o projeto cabe no espaço e neste caso específico, nos custos. Passamos ao desenho em Autocad, estudamos muito a planta baixa de modo a melhor encaixar no espaço as funções que pessoas em geral precisam.

Sempre senti uma dificuldade em ver estas plantas de imóveis populares (ou mesmo de melhor padrão), onde os desenhos dos móveis claramente estão encolhidos para parecer maior. E você chega no imóvel de verdade, se depara com aquelas medidas onde nada entra, por vezes sequer um armário decente. Queremos propor justamente o contrário, propor um projeto habitável.

Simplesmente pelo fato de que alguém vai morar lá, e deve conseguir ocupar este espaço como qualquer pessoa.

Como qualquer projeto, no caso em questão estamos trabalhando com alguns condicionantes. O principal deles é o do limite de largura do terreno em 6 metros. Embora vários programas de habitações populares considerem o terreno até maior, em grandes aglomerados urbanos o valor da terra é bastante elevado e a frente do lote torna-o mais caro ainda. Para a conta fechar, estreitar os imóveis é uma estratégia viável economicamente.

Os outros condicionantes são:

  • ventilação natural nos espaços;
  • flexibilidade, com possibilidade de ampliação;

No caso do material utilizado, estamos trabalhando com duas espessuras diferentes de paredes: 15cm para paredes externas e 12cm para as internas, devendo o material ser submetido aos testes devidos para comprovação das resistências. Ganhamos espaços importantes.

Num primeiro momento, foi desenvolvida a distribuição de espaços,sendo que corte e fachada são reflexos diretos desta proposta sem nenhum trabalho formal.

Como nem tudo são flores, aconteceu neste projeto o que acontece muitas vezes na vida real, o cliente pegou a planta-baixa, a usou para pegar dinheiro da fábrica para a qual o projeto estava sendo desenvolvido e sumiu…

Incrível perceber como as pessoas agem como se o projeto se restringisse a apenas isso, a apenas a planta baixa.

Infelizmente para nós, o prosseguimento deste projeto ficou comprometido, no que se refere a este cliente. Uma opção surgiu, porém, devido ao contato direto com o fornecedor. Sim, por que a Fábrica e o material eram reais, e buscar as informações técnicas junto a eles, fez com que eles percebessem que nós também éramos reais, apesar do intermediário que estava entre nós estar buscando apenas se dar bem. Neste sentido, estamos agora negociando, como seguir com o desenvolvimento deste projeto, e até outros.

Foi a própria limonada, a partir do limão!

Se agora o desenvolvimento se dará de forma mais lenta, ao mesmo tempo acontecerá de forma mais sólida.

Equipe Capsula

 

7 passos do sucesso na Arquitetura.

Não vamos aqui relatar o passo óbvio que é o trabalho duro, afinal de você escolheu arquitetura, trabalho duro já é uma rotina. Há alguns cuidados, porém, que podem ser tomados e que no futuro irão te ajudar na carreira.

Ame o que vc faz, e por isso coloque sua identidade no seu trabalho.
A primeira coisa e com certeza a mais importante é amar o que você faz. Se você conseguiu terminar a faculdade de arquitetura, certamente ama. Mas é importante ser honesto com você mesmo. Acredite no seu trabalho, na sua pesquisa, no seu estilo. Ter identidade própria é fundamental na arquitetura. Caso contrário, num piscar de olhos você estará odiando ao trabalho que um dia tanto amou.

Registre a responsabilidade de tudo o que vc faz.
De início pode parecer caro, mas não é. Registre a responsabilidades técnicas de todos os seus projetos e estudos. Sempre no início do trabalho. Isto é uma segurança para vc, e no futuro irá te ajudar a comprovar currículo e experiência. Seja para o seu escritório, seja para trabalhar em alguma empresa. Se achar que fica caro cobre os custos do cliente de forma aberta, assim ele saberá que você não está cobrando em cima deste custo mas que ele existe e que compõe os custos do seu serviço. Tem gente que sequer imagina que um RRT custa quase R$ 90,00 (!).

Fotografe o seu projeto executado.
Uma das coisas mais legais da arquitetura é ver o seu projeto virar realidade. Sempre fotografe a conclusão do seu trabalho. Se puder ser com um fotógrafo profissional melhor, mas senão, faça você mesmo. Ao longo do tempo você mesmo perceberá a sua evolução como profissional, além de todo este registro servir como seu portfólio e comprovação de experiência.

Guarde seus arquivos de modo organizado.
Muitos desmerecem este passo mas é fundamental. Seja para questões legais futuras, seja para reativar contatos do cliente, seja para servir de base para algum novo projeto. Antigamente gravavamos em zip, depois em cd’s, dvd’s… agora com os hd’s externos tudo ficou muito fácil então não tem desculpa para não fazer. Aproveite e digitalize documentos chave.

Primeiro aprenda a fazer para depois contratar.
Muita gente resolve ter um escritório e coloca um estagiário para fazer o trabalho grosso, de desenho, de levantamento. O estagiário não é um escravo, ele está ali para aprender. Levá-lo junto num levantamento para ele depois passar a limpo é uma coisa. Querer que ele faça sozinho é terceirizar o seu serviço. Invariavelmente a qualidade cai, e sobra para vc de qualquer maneira. Isso vale para muitas situações não só para aqueles que têm seu próprio escritório.

Método.
A faculdade nos ensina etapas de um projeto. Na vida real, é bom colocar isto em prática. Faça a pesquisa, o programa de necessidades, o lançamento inicial, evolua seu projeto, comece e termine etapas, assim você irá perceber o desenvolvimento do trabalho sem ficar perdido. Acima de tudo, conclua etapas, mas especialmente conclua seu projeto. Os arquitetos sempre tem a impressão de que faltou um pouco para ele ficar perfeito, mas a realidade é que você precisa terminar o seu projeto, executá-lo e permitir que o cliente aproveite. Projeto bom é aquele que vira realidade na vida do cliente, que aliás é quem irá usar o espaço.

O projeto é de sua autoria mas é para o seu cliente.
Não esqueça nunca do cliente quando você estiver fazendo um projeto. Não adianta uma cor estar na moda e seu cliente odiar. Ao mesmo, se seu cliente foi até você, ele deve ter em mente o seu estilo. O segredo está na união destas duas coisas, não perca seu estilo, mas não esqueça quem vai usar o seu projeto.

Equipe Capsula

4 Atribuições exclusivas dos arquitetos.

Embora exista um debate interminável a cerca da Resolução 51 do CAU e sobre quais atividades descritas nesta resolução poderiam ou não ser feitas por Engenheiros Civis, há atribuições que seguem sendo exclusivas dos Arquitetos, independente das últimas normativas internas do CAU e do CREA. São elas:

1. Paisagismo. Esta é uma atividade que só pode ser realizada por profissionais com titulação de Arquitetos e Urbanistas. Há quem desconheça, achando que se refere apenas a projetos de jardins em casas e apartamentos, mas em projetos viários, quando uma licitação determinar a necessidade de elaboração de projeto Paisagístico, a empresa licitante deverá ter em sua equipe o profissional indicado – Arquiteto e Urbanista, que será responsável pelo projeto paisagístico e que deverá apresentar os Atestados de Capacitação Técnica.

2. Plano Diretor. A elaboração de Planos Diretores é ainda hoje considerada atividade exclusiva de Urbanistas. Isto por que as faculdades de Engenharia sequer abordam o tema em si. A Grade Curricular da Faculdade de Engenharia da UFRGS pode ilustrar o que compõe a formação do Engenheiro Civil na Universidade Federal do Rio grande do Sul Entretanto, é importante lembrar que na elaboração de um Plano Diretor, a coordenação de diferentes profissionais é fundamental, ou seja, a constituição de uma equipe técnica multidisciplinar, composta por historiadores, geografos, engenheiros, permitirá uma abordagem muito mais completa para a elaboração de um Plano Diretor.

3. Planejamento Urbano e Regional. Segue o mesmo princípio do Plano Diretor.

4. Projetos Urbanos em Geral. Com exceção dos loteamentos, atividade na qual os Engenheiros sempre atuaram de forma bem intensa, independente de você arquiteto gostar ou não, nos demais projetos urbanos há um certo consenso sobre a importância da visão do Arquiteto e Urbanista, em especial quando se tratar de projetos de requalificação urbana.

É importante observar que nem tudo está determinado na Lei. A discussão que se formou desde a Resolução 51 do CAU, em 12 de julho de 2013, seguiu com a Resolução Normativa 1048 do Sistema CONFEA / Crea, de 14 de Agosto de 2013, do Sistema Confea Crea. E pela Resolução 1048, a realidade é que os Engenheiros poderiam fazer quase tudo, com exceção de Paisagismo. Entretanto, a realidade é que, alheio a estas resoluções internas de cada Conselho, a Sociedade já encara de forma diferente as especialidades de cada profissional, o que deveria servir de balizamento para as definições do que cada um pode ou melhor faz. Mesmo por que, o código de ética de ambas as profissões determina que um profissional não deve atuar em algo que não esteja capaz para.

Enquanto a discussão segue acirrada, aos profissionais arquitetos e urbanistas é importante consolidar estas áreas de atuação, uma vez que se referem a uma realidade brasileira já consolidada.

Equipe Capsula

 

 

 

 

Diário de um Projeto, Protótipo de Casa Popular, referências.

O projeto de uma casa popular nasce com um grande desafio, o de inovar frente ao que já foi feito. Quando pesquisamos imagens sobre o assunto, em sites como o Pinterest, por exemplo, há propostas bem interessantes, mas muitas deles exigem um terreno de maior porte, com a possibilidade de abrir janelas para 3 fachadas. Poucas são as que propõem projetos para terrenos mais mínimos, com 6 metros de largura ou menos, embora o custo do valor da terra seja fator determinante para projetos populares. Formalmente houve uma melhora significativa, embora nas cidades, pouco se viu destas propostas arquitetônicas nos projetos de habitação popular, como o Minha Casa Minha Vida, talvez justamente por esta questão de custo da terra.

Então, quando você é contratado para projetar uma residência popular em um material diferenciado, o desafio é realmente interessante para qualquer arquiteto. Isso por que mais do que projetar uma casa popular, você tem o desafio de propor algo novo, não só no material mas no conjunto. E acima de tudo, você tem que conseguir fazer um projeto barato, que tenha um baixo custo de implantação, que seja viável economicamente.

Há, porém, uma outra preocupação que nós arquitetos trazemos, que é a questão formal do projeto. Queremos que nosso projeto seja realmente bonito, que ele contribua positivamente para a paisagem da cidade e queremos mais ainda que o pedreiro não destrua o nosso projeto na execução, seja por mudar coisas sem qualquer autorização, seja pela má execução mesmo. Vamos lembrar que Direitos Autorais ainda são muito desrespeitados por aqui, fora todo o leque de profissionais que acham que entendem mais do que nós arquitetos. Ao mesmo tempo, temos que entender que projetos de caráter mais popular tem que prever algum tipo de acréscimo em sua forma original, pois o costume do puxadinho está altamente arraigado na cultura brasileira.

Neste sentido, o arquiteto chileno Alejandro Aravena promoveu este tipo de arquitetura com um principio norteador bastante claro e importante, o de que os usuários pudessem dar a sua personalidade no projeto, seja mudando acabamentos ou expandindo os projetos. Algo que ocorre em praticamente todos os imóveis, mas que neste caso ele determinava os espaços onde estas intervenções ocorreriam, o que permitiu que ainda alterado, os conjuntos projetados tivessem uma unidade. Os projetos de Villa Verde (2013) e Quinta Monroy (2004), ambos no Chile, são os mais conhecidos.

Quinta Monroy, prevê o atendimento a 93 famílias. A área de implantação é de 5.025m². As áreas iniciais das unidades são de 36,00m² para casas e de 25,00m² para o duplex. Que podem ser expandidos para 70 e 72m² respectivamente.

Imagens: http://www.elementalchile.cl

Villa Verde agrupa 484 familias, em um terreno de 8500m². A área inicial das unidades é de 57m² podendo expandir para até 85m² – um incremento de quase 50% na área original.

Imagens: http://www.elementalchile.cl

Embora o porte destes projetos possa ser um pouco distante do que temos aqui no Brasil, hoje o próprio Governo através Minha Casa Minha Vida já sente a necessidade de rever os conceitos do Programa.

Para nós, basear-se nesta condição, de que as pessoas possam de alguma forma dar a sua identidade à sua habitação, deixando-a de certo modo única, sem perder a unidade do conjunto, é de certo modo compreender as necessidades do público para o qual estamos projetando. Se você consegue prever isto de forma planejada, temos a tão sonhada flexibilidade para o nosso projeto, sem que se perca a sua identidade.

Muitas vezes desapercebida, destacamos um tipo de intervenção pessoal em conjuntos arquitetônicos. Em Porto Alegre, RS, há conjuntos residenciais unifamiliares independentes, cujos projetos iniciais eram exatamente iguais, muitos destinados a militares. Ao longo dos anos, as casas foram ganhando novos donos, personalidades próprias de seus usuários, que manifestam de forma clara a necessidade que as pessoas tem de se identificarem com imóveis próprios. Hoje com características diferenciadas, mantém ainda a nossa percepção de que fazem parte de um conjunto e de como isto pode se tornar uma estratégia interessante para conjuntos de mais unidades.

Equipe Capsula.

 

 

 

 

Diário de um Projeto, Protótipo de Casa Popular, Pesquisa de Materiais.

Se você foi contratado para fazer um protótipo, você terá que pesquisar os materiais para este protótipo. No nosso caso já temos o material definido mas não temos a informação completa sobre ele. Trata-se de um composto rígido de média densidade, produzido a partir de polímeros termofixos e resinas, que se apresenta ainda com a característica de ser impermeável. Não entraremos no mérito de marcas para não entrar no mérito de divulgação ou não de material – que não é o objetivo.

Comercializado em chapas de 1 x 1 metro (embora nossas amostrar sejam de tamanho bem menor), tem diferentes espessuras a diferentes preços. Suas composições são feitas a partir da colagem das peças com cola de tubos hidráulicos, ou então com o uso de parafusos – tipo parafuso de madeira. Infelizmente, nem sempre os sites disponibilizam toda a informação que você precisa. E o pior é que nem sempre os representantes sabem te esclarecer o que você precisa. Como se trata de um material que será usado em construções de baixo custo, o valor em si das peças é uma condicional muito importante. E se você pensa que conseguir o preço das diferentes peças é fácil, está muito enganado. Ainda que você esteja desenvolvendo um projeto que poderá alavancar vendas do material, conseguir preços por vezes pode parecer uma tarefa impossível.

Depois de vários contatos com o representante da fábrica, em busca de qual espessura teria o menor valor para então projetar a composição das peças de forma mais econômica, ouvimos que a fábrica só dá preço depois de ver o projeto, para então cotar a execução do projeto como um todo. Neste momento, a sensação é que desenvolver produtos no Brasil é bem mais difícil do que a primeira impressão. Para efetivamente conseguir os preços para conseguir fazer um estudo econômico de custos (sim, por que sem saber os custos nada vai para a frente!), foi preciso contatar alguém da diretoria, que, ao ouvir a explicação, entendeu a necessidade, e então mandou que as devidas informações nos fossem passadas.

É preciso entender que no caso de um protótipo de residência de material novo, alguns testes deverão ser desenvolvidos, sendo de início os testes de resistência, em especial quando ao fogo. Sair fazendo testes de todas as peças disponíveis pode comprometer os custos do desenvolvimento do protótipo. Para se ter uma ideia, de início, foi cotada a realização dos seguintes testes com o material:

– Determinação densidade óptica de fumaça ASTM E662

– Índice de Propagação Superficial de Chama NBR 9442:1986

– Classificação de reação ao fogo dos materiais

Os custos do primeiro orçamento recebido ficaram em R$ 7140,00 (Sete Mil Cento e Quarenta Reais). Ora, não se trata de algo que pode ser classificado como barato. Então, realmente é inviável economicamente fazer testes com variadas opções, o que reforça a necessidade de estudo prévio das peças para posterior envio para os devidos testes.

Sem ainda definir por completo as peças a serem usadas, passamos para a análise arquitetônica, para então definir a composição das peças que serão submetidas aos testes.

Equipe Capsula

 

 

Diário de um projeto, Protótipo de Casa Popular, Contrato.

Muitos já escreveram sobre dicas sobre a elaboração de projetos. Queremos aqui criar uma série um pouco diferente, um relato continuado sobre a experiência de fazer um projeto, erros, acertos problemas, conflitos, desafios. Ocorre com muito, e acreditamos que dividir experiências é fundamental para o crescimento profissional, assim como fazer o relato sincero sobre o que ocorre ao longo de um projeto, sem romantismos.

Mês passamos fomos contratados para a realização de um projeto de protótipo de casa popular. Uma construtora parceira nos pediu o orçamento para elaborar um projeto com material diferenciado. Entre o que deve ser realizado, fora o projeto em si, está o desenvolvimento da forma de uso do material – que nunca foi usado para a construção de casas. Antes de fechar o contrato, a primeira grande preocupação foi como nos resguardar. Sim, por que não se consegue cobrar nenhuma fortuna por desenvolver uma casinha de 50m², não vai ser a cobrança de uma única unidade que vai remunerar o seu trabalho no desenvolvimento de um protótipo. Ao mesmo tempo, este tipo de casa não é pensada para a implantação de uma única unidade e sim de várias. Então, a grande sacada é pensar em como cobrar as repetições. E por isso mesmo, mesmo que previsto em contrato, mesmo que com a Lei de Direitos Autorais te protegendo, recomendamos sempre trabalhar com parceiros, empresas que realmente tenham a intenção de te pagar. Por que embora os processos judiciais possam te proporcionar valores atraentes, você precisa de dinheiro para fazer um processo – pagar advogado, custas judiciais, fora o tempo que leva e a incerteza de sucesso.

O contrato deve prever a remuneração da unidade e a remuneração das repetições, mas não só isso, tem que prever como você vai receber este valor. Num artigo anterior, disponibilizamos um modelo de contrato de prestação de serviços de arquitetura. Abaixo segue como fizemos constar no nosso contrato, nas cláusulas de Preço e Condições de Pagamento. Você pode e deve escolher trabalhar da forma que melhor se ajusta a sua realidade.

DO PREÇO E DAS CONDIÇÕES DE PAGAMENTO

Cláusula xx. O presente contrato será remunerado de acordo conforme segue:

  1. A elaboração de projetos será remunerado de acordo com a metragem quadrada construída, a um valor de R$ 8.320,00 (Oito Mil Trezentos e Vinte Reais) para uma metragem de até 52,00m².
  2. Repetições do mesmo projeto serão remuneradas de acordo com a quantidade de repetições, conforme segue:
    1. De 1 a 10 repetições: 75% do valor total da primeira unidade;
    2. De 11 a 50 unidades: 50% do valor total da primeira unidade;
    3. A partir de 101 unidades: 25% do valor total da primeira unidade;

Clausula xx. A forma de pagamento da remuneração do presente contrato dependerá do serviço prestado conforme segue:

  1. Para projetos:
    1. Para fins de aceite, será pago o valor de R$ 2.000,00 (Dois Mil Reais)
    2. Na entrega do projeto básico de arquitetura, R$ 2.160,00 (Dois Mil Cento e Sessenta Reais);
    3. O valor remanescente será pago junto à entrega dos demais projetos;
    4. No caso de repetições o valor total deve ser pago nos licenciamentos das construções.

Em relação ao pagamento das repetições, definimos o pagamento junto ao licenciamento pois não onera demais o construtor – seu parceiro, ao mesmo tempo em que se ele não te pagar, você pode pedir a paralisação da obra por uso indevido da repetição do seu projeto.

Os valores descritos aqui são para a realização da totalidade de projetos da casa, não apenas arquitetura. Isso por que, em se tratando de um protótipo, não teria como desenvolver um projeto sem considerar tudo o que precisa para colocar este projeto de pé. Mas mais importante que isso, agrupar tudo, te fazer ter mais valor agregado ao teu projeto, ao teu serviço, e portanto, maior o valor da multa em caso de cancelamento.

Ainda que você esteja fazendo o serviço com uma empresa parceira, é sempre bom se resguardar. Neste sentido, o projeto arquitetônico em si todo seria cobrado por muitos no mercado a um valor que aqui estamos cobrando de entrada. Isto reforça as chances do projeto se desenvolver bem, e se tornar realidade. Não pense que estamos exagerando, resguardar o valor do seu projeto é um dos maiores desafios do mercado de trabalho, em especial numa sociedade que não valoriza o arquiteto. Faça por si, e vai acabar fazendo por muitos ao ajudar a valorizar o nosso próprio serviço.

Você pensa que foi fácil fechar mais de R$ 8.000,00 pelo projeto de uma casinha?! Sem chance… teve muito choro, pois sempre acham caro o projeto. Ao mesmo tempo, você tem que dominar o que é o seu serviço para poder justificar o seu preço. Assim, entender o quão complexo pode ser desenvolver um protótipo, toda a pesquisa de materiais envolvida, todo o vai e vem normal de um projeto, assim como vender o projeto de forma completa, ajudam sim a valorizar o todo e a você mesmo enquanto profissional.

Equipe Capsula.

 

Riscos de estruturas urbanas abandonadas.

Estruturas urbanas abandonadas não são privilégio de periferias como muitos podem pensar. Num dos cruzamentos mais movimentados da cidade, nos deparamos com uma estrutura que foi impactada por um temporal há pouco mais de 2 meses atrás e que agora parece contar os dias para desabar. O Crea, sempre mais presente nestes casos, notificou o Governo do Estado, proprietário do imóvel, sobre os riscos, assim como a prefeitura municipal, que também demonstra receio de eventual desabamento em caso de temporal, tendo multado o Governo do Estado. O resultado, porém, foi a decisão de vender o imóvel até fevereiro. Fica no ar o pergunta se o imóvel continuará ali, sem reforço, sem proteção, instável. Algumas notícias falam em demolição, mas por enquanto nada.

Relembrando o caso, e explicando melhor a quem não conhece o local ou entende pouco de estruturas.

Em 1 de outubro de 2017, num domingo, um forte temporal atingiu a capital do estado do Rio Grande do Sul, e destelhou parte do ginásio da Brigada Militar, estrutura que fica no cruzamento das avenidas Ipiranga e Silva Só. Devido a força dos ventos, parte da cobertura foi arrancada. As pessoas em geral não compreendem que

Foto: Deise Freitas / Defesa Civil / Divulgação / CP (link: http://www.correiodopovo.com.br/Noticias/Geral/2017/10/630192/Temporal-deixa-ginasio-da-Brigada-Militar-parcialmente-destruido)

Ao contrário do que em geral ocorre, não queremos aqui simplesmente alertar mas explicar o que pode ocorrer e o porquê. Quando uma estrutura é projetada e calculada, ela considera uma série de restrições e coeficientes de segurança. Entre eles, o vento. Neste sentido, a estrutura da Brigada claramente não resistiu aos ventos do temporal razão pela qual perdeu quase metade da sua cobertura. É importante entender que isto indica que o cálculo pode não ter aplicado a carga correta de vento, pode te-la desconsiderado, ou mesmo a carga pode ter ultrapassado o projetado. Mais grave ainda é que precisamos compreender que as terças da cobertura promoviam uma unidade ao conjunto, auxiliando a estrutura a trabalhar como uma grelha, como uma conjunto, auxiliando inclusive quando de distorções na estrutura causada por temporais. A partir do momento que parte desta estrutura não existe mais, o conjunto como um todo está mais fragilizado. E isto incluí não somente os oitões (paredes de fechamento), como o telhado e outros elementos da cobertura que podem literalmente sair voando e atingir todo o tipo de alvo. Outra aspecto que deve ser destacado é que uma vez sem a cobertura, a peça estrutural do oitão apresenta-se com esbeltez além do permitido pelas normas, razão pela qual não somente aparenta mas torna-se mais frágil como um todo, e principalmente mais suscetível à ação dos ventos.

Lembremos ainda que peças em concreto podem colapsar sem maiores avisos, o que torna a situação mais perigosa. Em especial por que não há quem responsabilizar tecnicamente em caso de desabamento. O projeto claramente não previa deixar a estrutura assim. Ou seja, não há atualmente nenhum responsável técnico pelo conjunto.

Segue o aviso, portanto, sobre o risco que todos que passamos por ali estamos correndo, ao mesmo tempo em que fica a pergunta, o que fazer quando o espaço já está sem uso, ou seja, quando não se pode sequer interditá-lo?

Foto de Capa de Ronaldo Bernardi / Agência RBS

Equipe Capsula

 

 

 

Conceito de média e mediana para orçamentos SINAPI.

Uma vez que você compreende quais as tabelas SINAPI utilizar, o que são insumos, composições, coeficientes, o próximo passo é, ao perceber a falta de um item específico, conseguir orçar este item e coloca-lo nos padrões exigidos pelos órgãos públicos. Neste momento, antes de entender como criar as novas composições a partir de preços externos é preciso entender como buscar estes preços.

A internet facilitou em muito a pesquisa de preços, pois muitas são as vezes em que se solicita orçamento e o fornecedor não responde. Isto por que chega um momento em que o fornecedor sabe que você não irá comprar, então ele coloca pro final da fila de atendimento, para quando sobrar tempo. Só que você tem o prazo correndo para fazer o seu orçamento. E na internet tem muita coisa que pode resolver este tipo de situação. Ao mesmo tempo, a visualização do que são os itens que estão sendo orçados, permite ao orçamentista melhorar muito o seu conhecimento prático sobre arquitetura e engenharia.

É preciso lembrar, porém, que estamos em um país com dimensões continentais e por isso, as variações de preços nas diferentes regiões do Brasil são bastante significativas. Tecnicamente falando, as cotações devem se restringir as regiões brasileiras, ou seja, se você é do Rio de Janeiro, pode usar preços dos demais estados da Região Sudeste. Se você está em Manaus, pode usar as cotações dos demais estados da região norte. E assim nas demais cidades.

Importante lembrar que as cotações devem ser registradas, ou seja você deve salvar em PDF todos os preços de um orçamento público por que esta informação deve estar disponível no seu orçamento.  Para quem é totalmente leigo nesta parte, o que estamos dizendo é que, quando você localiza um preço na internet, você deve salvar a página em PDF. Se você esta navegando com o Google Chrome, basta clicar em imprimir e ao setar a impressora setar em “salvar em pdf”. Prestar atenção se está clicado para imprimir os cabeçalhos e rodapés. Isto por que é ali que estarão registradas as datas de sua pesquisa, afinal, um preço é válido por um tempo, em geral 1 mês. Sem isso, sua cotação não tem valor legal algum.

De posse de pelo menos 3 preços de fornecedores diferentes – isso é o mínimo recomendado para quando se está orçando um produto que não tem no SINAPI, chega-se ao momento de definir qual preço usar. Há duas maneiras distintas de proceder, utilizar a MÉDIA ou utilizar a MEDIANA.

Para a determinação da MÉDIA de preços, você deve somar valores das cotações, e dividir a soma pelo número de preços obtidos. Se são três cotações, soma-se os três e divide-se por três. Este procedimento te dará a média de preços.

A determinação de MEDIANA é bastante diferente pois não envolve contas. Pois o preço mediano não é nem o maior, nem o menor. De três preços, o preço mediano é o do meio, sem nenhuma alteração de valor, apenas o da cotação em si.

Quem determina se usamos a MÉDIA ou a MEDIANA? Novamente não é você, e sim o fiscal de seu contrato. Ele deve definir previamente, ou seja, no início do serviço qual parâmetro usar. Se não for dito, questione, pois não cabe ao orçamentista esta definição.

Mais uma vez, esperamos ter ajudado.

Equipe Capsula.