Vidro Polarizado, você vai querer conhecer.





A tecnologia na construção civil vem avançando a passos largos. Infelizmente, na arquitetura de interiores, pouco se vê em termos de aplicação pura de produtos tecnológicos. Em geral temos muitas coisas caras, mas tecnológicas, não.

Então quando surge algo, mais do que divulgar é muito interessante explicar como trabalhar com este produto.
Aqui, vamos tratar do Vidro Polarizado. Você pode não saber do que estamos falando, mas você vê ele todo dia na sua TV, na hora do Jornal Nacional. Sim, estamos falando do vidro curvo do novo estúdio do Jornal Nacional, que entrou no ar no dia 19/06/2017.

Só que só te dar esta informação não é o que a gente quer. A gente quer te explicar como usar, quanto custa e restrições de uso.

Então, vamos começar pelo inicio.

O que é o vidro polarizado?

O vidro polarizado nada mais é do que um vidro laminado, mas que, ao invés de possuir em seu interior uma película de PVB (Poli Vinil Butiral), possui um filme, um display de cristal líquido (um LCD)… algo tipo a tela de uma TV. Sim, isso mesmo.  Nesta tela, quando as partículas estão em repouso, ou seja, quando ele está desligado, ele está opaco, quando está ligado, as partículas ficam em movimento e o vidro fica transparente. Como qualquer tela de TV funciona na luz, ou seja, você vai ligar o seu vidro.

Dependendo do fabricante ele possui uma ou outra característica. Vamos aqui listar algumas, mas sem vincular a um fabricante específico:

– o tamanho padrão varia de 350x350mm a 1500x3000mm. Você pode estar pensando: “mas a tela do JN não é de 15m?” Sim, mas é claro que como qualquer produto, pode ser objeto de projetos especiais, ainda mais um projeto como o JN (que é uma bela propaganda, não?).

– as espessuras variam de 8mm a 20mm;

– Voltagens 110 e 220V / 65V – 110v – 250mA/m²;

– cores: transparente, cinza e bronze;

– temperatura suportada: de -10°C a 60°C;

– ângulo de visão: 150°;

– garantia: 5 anos;

– pode receber projeção, que é o que ocorre no JN, o vidro, levemente escurecido, recebe a projeção das imagens (que é o que você vê no fundo atrás do William Bonner e da Renata Vasconcellos). Como é uma tela, ele possui uma grande qualidade para a imagem projetada;

Se você prestar atenção, pode ver os projetores junto ao vidro de fundo dos apresentadores.

Disponibilizamos aqui imagens reproduzidas do site G1, Fotos de Globo/João Cotta.

(http://g1.globo.com/economia/midia-e-marketing/noticia/jornal-nacional-inaugura-estudio-no-centro-de-nova-redacao-integrada-da-globo.ghtml)

Ele pode ser controlado por controle remoto e você ainda pode controlar a graduação na transparência – algo como um dimmer.

Tem restrições para aquisição?

Só o preço. Sim, você não queria que ele fosse barato né? Mas apesar disto você consegue comprar qualquer quantidade. Utilizamos em um projeto comercial de pequeno porte, um consultório odontológico, em apenas uma divisória com cerca de 3,5m x 2,60m, e conseguimos adquirir o produto sem qualquer problema – sendo que os dois fabricantes orçaram o fornecimento.

Onde eu consigo este tipo de produto?

Há dois fabricantes no Brasil, a PKO e a Intelligglass. Só que ambas só te fornecem o material. A mão-de-obra é com você. Neste momento, cabe a você arquiteto de interiores ir atrás de um fornecedor confiável, e de maior porte (não vai ir no vidraceiro da esquina, né?), que tenha conhecimento e experiência suficientes para instalar estas peças (o famoso Know-how).

Em geral vão te cobrar no mínimo o custo do material, pois vai que alguém quebra alguma peça, né?

E qual o custo?

Para dar um panorama bem real para vocês, estamos disponibilizando aqui o preço do material mais comum, vidro 4+4, praticados em janeiro de 2017.

Custo do Vidro: de R$ 2.750,00 a R$ 3.220,00 (incluso IPI de 10%) o metro quadrado (m²);

Cuidado, deve estar incluso o transformador Bivolt. Se não estiver, custa em media R$ 120,00

Custo da mão-de-obra: o mínimo que cobraram foi o valor do material;

Custo do Transporte: R$ 5.800,00 para transportar um total de 8,5m² de São Paulo a Porto Alegre. Não dá pra dizer que tenha um valor específico por metro quadrado, mas dá pra se ter uma ideia de que não é barato. Ficou em cerca de 25% do valor do material.

Restrições

O vidro polarizado tem algumas restrições quanto à sua utilização. Ele deve ser utilizado encaixilhado, ou seja, as bordas não devem estar aparentes. As pontas são extremamente frágeis, sendo também um ponto de fragilidade para o próprio LCD que há em seu interior.

Algo tipo, bateu, quebrou, ou estragou.

Outra coisa, não permite furações. Ou seja, para o uso em divisórios, por exemplo, os puxadores devem estar integrados no desenho dos caixilhos.

A utilização em projetos passa pela compreensão de que o vidro polarizado é um sanduiche de dois vidros comuns com uma tela de LCD. Embora o vidro proteja o LCD, não podemos esquecer que se trata de vidros comuns (ele não aceita o uso de vidros temperados).

Entender o material te permite ousar e criar, te abre possibilidade. Algo que quem trabalha com a arquitetura, de interiores ou não, está sempre buscando.

Equipe Capsula.