Barreira acústica verde existe?





A arquitetura sustentável vem ganhando espaço e importância com o passar dos anos e a necessidade crescente de economizar recursos. Com isso algumas soluções passaram a ser usadas com mais frequência, entre elas as paredes verticais ou jardins verticais. Ao lado, um dos mais conhecidos projetos de Pratick Blanc, um mestre dos jardins verticais. Projeto L’OASIS D’ABOUKIR, em PARIS, concluído em 2013 (foto retirada do site https://www.verticalgardenpatrickblanc.com/realisations/paris/loasis-daboukir-paris).

Uma elegante solução para inúmeras perguntas, sejam estéticas sejam de habitabilidade dos espaços. Dentre tantas respostas uma que seguidamente se fala mas que não tem qualquer embalsamento técnico é o de que estes elementos se constituem em em uma barreira acústica.

Não, uma parede verde não é e nem serve para tal fim. Não há ganho acústico simplesmente pelo fato de que para se consistir em barreira acústica é necessário massa, densidade. Materiais como concreto por exemplo se comportam como barreiras acústicas. Vegetações não. Elas não são densas, compactas, não funcionam como um bloqueio à passagem do som, as ondas do som passam através elas.

Entender as barreiras acústicas e os tipos é fundamental para compreender a diferença funcional destes elementos.

Barreiras acústicas são elementos limitadores de som, usados entre áreas de habitação e estradas na maioria das vezes. Em geral em local com grande ruído sonoro, seja proveniente de um fluxo muito intenso de veículos, em geral de maior porte, seja por sistemas de transporte como trens e metrôs de superfície. A onda sonora produzida é bloqueada por barreiras construídas para este fim.

No Brasil não se vê este tipo de solução pois temos uma abundância de espaço que de certa forma nos permite não dar a devida importância a este tipo de solução técnica. Na Europa se vê com maior frequência. Devido porém a esta ausência de aplicação, as paredes verdes vem ganhando esta propriedade como se de fato funcionassem para tal. O que não é verdade.

Para melhor compreender o funcionamento da barreira você deve imaginar a barreira acústica como uma parede colocada entre dois pontos, o emissor do som, as estradas, e o receptor, as habitações, falando de modo geral.

O som ao se chocar com a parede se fraciona em partes. Uma parte retorna ao emissor, uma parte se dispersa (efeito chamado de difração) e uma parte chega ao receptor.

Dependendo das características, através da dispersão parte do som pode chegar ao receptor. Ou seja, ao dimensionar a barreira é importante considerar distâncias entre emissor e receptor, bem como a altura dos elementos de modo que ainda que o som disperso chegue ao receptor, seu efeito tenha sido efetivamente reduzido pela barreira.

Sobre os materiais da barreira acústica em si, fora a questão de densidade, é importante determinar se elas irão absorver ou refletir o som.

Entre os materiais das barreiras temos concreto, alvenaria, madeira, acrílico, metal e plástico. A seguir, imagens do site http://bracustica.com.br/blog/?tag=barreiras-acusticas, para barreiras acústicas de concreto, metal e policarbonato.

 

 

 

 

 

 

Estes são os acabamentos pois nem sempre os miolos são deste material. Por exemplo, uma barreira de chapa metálica é usualmente fabricada em chapa microperfurada num dos lados (lado do som para absorver) com preenchimento em lá de rocha e fechado na outra face para evitar a passagem do som.

O padrão da superfície também é importante para compreender suas propriedades. Faces porosas ou nervuradas favorecem a absorção, melhorando a eficiência deste elemento.

Faces extremamente lisas promovem a reflexão do som. Seu uso se faz necessário pelas questões paisagísticas, pois as barreiras absorventes são totalmente vedadas e não permitem conexões visuais entre as áreas.

Em qualquer um dos casos é interessante vislumbrar que a vegetação pura e simples não tem a capacidade nem de absorver nem de refletir o som. O uso do elemento verde deve estar necessariamente associado a um elemento de bloqueio ou absorção como concreto, metal e madeira associado a materiais absorventes como a lá de rocha. Neste sentido, embora o custo de implantação e manutenção se eleve, haverá sem sombra de duvida o ganho à paisagem.

Equipe Capsula