Construsul 2017, impressões.





Não sei se foi reflexo da crise que vive o país mas a sensação que tive ao sair da Construsul 2017 foi de decadência. Costumava ir nas feiras desde antes de me formar e ainda consigo me lembrar da época em que a feira não cabia no Centro de Exposições da FIERGS, em Porto Alegre (na verdade até o tempo era curto para ver tudo o que a feira oferecia). Tamanha necessidade de espaço fez com que ela se deslocasse para Novo Hamburgo, na região metropolitana de Porto Alegre, para os pavilhões da FENAC. Surpresa foi ao visitar uma feira pequena, com espaços sobrando, por locar, além de uma ampla área sequer utilizada. A visita, desta vez, não durou nem 2 horas.

Os expositores, por sua vez, acho que pela própria condição da feira, me pareciam pouco preparados para estar lá. Qual o sentido de ir visitar uma feira? Fechar negócios ou se atualizar, conhecer novidades. Pois a Construsul deste ano não trouxe, ao menos para mim, quase nada de novidades. Como profissional da área da arquitetura, para mim faltou tecnologia e inovação.

Muitos produtos repetidos. Ao mesmo tempo, mesmo com tantas ofertas, estava difícil obter conhecimento técnico específico  sobre as aplicações dos produtos, quando questionado mais do que as informações dos catálogos. Também sentimos falta de expositores de outros países.

Nem tudo, porém, foi perdido… Eis o que merece o nosso destaque:

O Stand das tintas Killing estava com uma proposta interessante, dispôs painéis para que as tintas fossem testadas pelos visitantes da feira. A grande inovação lançada foi a tinta Epóxi a base d’água. Nos garantiram manter a qualidade da epóxi comum. Essa verdade, para dizer, só utilizando mesmo, e vendo a durabilidade. Mas a proposta de podermos testar, observar consistência e cobertura merecem ao parabéns. No local, parece realmente funcionar.

Um exemplo positivo também foi o stand da Sinoscreen – www.gruposinoscreen.com . A proposta é a de uma ampla utilização de sinalização fotoluminescente – até então bastante conhecida nos PPCI’s – Planos de Prevenção Contra Incêndio. Caso você desconheça o termo, Fotoluminescência é a propriedade que determinados elementos têm para emitir radiação luminosa (fótons) após exposição a uma fonte externa de luz. Quando expostas a fontes de luz  seja natural ou artificial, elas armazenam energia através de um simples fenômeno de excitação dos átomos. Mais tarde, numa situação de ausência de luz, libertam toda a energia acumulada sob a forma de luz visível, até que os átomos regressem ao seu estado fundamental. Este efeito não passa rapidamente, podendo durar até 10 horas. Na proposta de aplicação podemos ver inclusive as fitas antiderrapantes para degrau com este tipo de material, que embora não seja obrigatória auxilia e muito a sinalização de escadas. O limite? Vai de cada projeto, mas sim, bem interessante a proposta de utilização de uma solução já conhecida mas de outras formas, buscando a eficiência do projeto.

Outro material com uma proposta interessante de acabamento, embora não seja, também uma inovação, foi o da empresa de IPF Acabamentos em EPS (www.ipfmolduras.com.br). EPS para quem não recorda é aquele material que parece um isopor e que usam para imitar molduras de gesso. Já tivemos a experiência de usar e o acabamento não ficava bom. Era mais limpo e rápido do que o gesso, mas ainda assim os acabamentos nas emendas e a pintura em geral sempre deixava a desejar. O que estava exposto eram as mesmas peças mas com acabamento da superfície composto de tela de poliéster e revestimento de argamassa cimentícia. Com isso, a proposta é de ganhar no peso das peças, evitando sobrecarregar as estruturas. Ao mesmo tempo, o acabamento, final fica mais refinado, algo que era o “calcanhar de Aquiles” destes materiais. No stand, propostas para ampla utilização em fachadas e elementos decorativos, dos mais diversos tamanhos e formas. Você pode sim questionar o uso destes elementos em fachadas, achar tudo meio “over” demais, nada moderno, mas é importante lembrar que cada um pode ter seu estilo, ter seu gosto, e que é importante sobretudo respeitar o gosto do cliente.

Queremos aqui destacar o Stand da Taschibra. Esta sempre foi uma marca popular de produtos de iluminação. E ao mesmo tempo, o que se via anteriormente era uma série de produtos de gosto duvidoso. Agora, embora estes ainda continuassem por lá, havia sim  preocupação de propor algo bonito. E esta é uma iniciativa que todos devemos apoiar. O bonito independente de valores. Peças de bom gosto podem estar em qualquer lugar, e ter os mais variados custos. E quando quem vende para muitos percebe isso, nós temos é que aplaudir!

 

 

 

 

 

 

Por fim, queremos aqui agradecer o pessoal da Adelbras. Paramos no stand para pesquisar materiais para TapeArt. De início, o rapaz que nos atendeu não sabia nos explicar ao certo o que queríamos, mas prontamente um supervisor apareceu e nos explicou tudo. Testou produtos, abriu fitas para nos mostrar acabamentos, e nos deu um super kit com produtos para a gente experimentar.Nem sempre, quando olhamos um material, queremos usar no que ele originalmente se propõe. Quando o representante, vendedor, produtos, entende que queremos ir além, ele se torna um grande aliado para a criação de novas opções de uso. Aqui, ficamos maravilhados com a textura da fita antiderrapante para piso incolor, uma cor e textura perolizada que nos deu muitas ideias…

Eis o objetivo de ir a uma feira, conhecer coisas, ver novidades, ter ideias, expandir a mente… pena que para nós foi só isso que rendeu. E ficamos aguardando a próxima.

Equipe Capsula