Levantamento técnico e fotográfico em prédios históricos, inventariados ou listados, como fazer.





No nosso primeiro post sobre levantamentos fotográficos já se percebe que o serviço não é nada banal. Ao mesmo tempo, a complexidade não termina numa primeira leitura. Um caso bastante específico é quando a intervenção se dá em um prédio listado, inventariado ou mesmo tombado junto ao patrimônio histórico.

Poucas faculdades de arquitetura tratam deste assunto de forma detalhada. Em geral, nas disciplinas de patrimônio são abordados aspectos conceituais de intervenção deixando a parte prática mais de lado. Isso de certo modo criou uma aura de dificuldade relacionada ao assunto. E mais do que isso, deixou o mercado especializado de tal forma que poucos se consideram capazes de intervir nestes imóveis sem a ajuda de uma consultoria especializada. Nada contra, mas consideramos fundamental que o profissional consiga minimamente entender e analisar o imóvel no qual irá intervir de modo que a consultoria se de muito mais para auxiliar na intervenção do que na base do trabalho. Queremos desmistificar a questão do patrimônio histórico, de modo que as intervenções se deem baseadas em conhecimento e informação sobre o imóvel.

Como falamos em nosso primeiro post, a base inicial de trabalho é fundamental para o sucesso do projeto. Neste momento, além da pesquisa histórica, é preciso colocar literalmente a mão na massa – é imprescindível que quem vá executar o projeto participe do levantamento técnico e fotográfico do local, supervisionando de perto o trabalho. O registro do imóvel deve ser absolutamente completo.

Neste aspecto o levantamento fotográfico tem algumas particularidades.

Quando se realiza um levantamento fotográfico de prédio histórico, o primeiro cuidado deve ser o de mapear a edificação. E com isso queremos dizer que as fotos devem registrar a totalidade da edificação de forma metódica. Como podem haver saliências e detalhes ornamentais você deve se posicionar reto em frente a fachada e registrar a esquerda, reto, e a direta… e assim sucessivamente. Depois, para cada problema, uma foto. Só que não precisa uma foto geral é uma ampliada por que toda a foto que você tirar deve estar marcada em relação a posição de registro em planta baixa. Isso mesmo, cada foto deve ter seu local registrado. Por que ao contrário de um levantamento comum que você faz para você mesmo, o do prédio histórico pode ter de ser submetido a outras pessoas, então deve ser claro de forma inequívoca.

O mapeamento é fundamental e básico para o registro do imóvel no momento da intervenção. Além disso, será importante pois nem sempre a solução adotada será a mais adequada. E o retorno e análise das intervenções ao longo dos anos pode aumentar o sucesso do projeto em desenvolvimento.

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Segue abaixo, algumas imagens dos registros de levantamento fotográfico do Viaduto Otávio Rocha em Porto Alegre (pra quem não é daqui, é o local que ficou famoso com a torcida holandesa na  Copa do Mundo de 2014).

Vocês podem observar que a quantidade de fotos do imóvel é realmente grande.  Isso porque no momento do levantamento as condições exigiram um registro amplo e detalhado.

As fotos porém não são o único registro necessário. As fotos ilustram mas a percepção do local por profissionais também é imprescindível para a compreensão dos problemas que afetam estas edificações. Neste sentido, esta percepção deve ser registradas em plantas e elevações técnicas. Inicialmente no local, a mão, depois este levantamento deve ser desenhado digitalmente. Como auxílio, descrevemos aqui os principais problemas que devem ser verificados e registrados:

  • Peças quebradas / Deterioradas
  • Peças faltando
  • Infiltração pluvial (procedente das chuvas)
  • Infiltração umidade ascendente (que vem de baixo)
  • Pichações
  • Musgos
  • Rachaduras
  • Vegetação (aquelas que crescem mesmo, ficam grandes e criam riscos de desprendimento de peças muitas vezes)
  • Liquens
  • Manchas (corrosão / ferrugem)
  • Tampas de inspeção (quando ocorrer)
  • Floreiras (se houver)
  • Cotas corrigidas (leve sempre o desenho cotado e verifique no local as cotas reais que você encontrar)

Outra dica importante, nunca se esqueça de fazer a verificação dimensional do local. Você pode se perguntar: Mas uma edificação antiga terá que variação? Pois incrivelmente ao longo do anos, revestimentos, argamassas, e mesmo massas e tintas podem roubar muitos espaços. Então sempre é importante conferir.

Este passo-a-passo é bem básico e inicial para intervenções em áreas históricas. De posse deste levantamento completo, junto a pesquisa histórica, você poderá desenvolver um diagnóstico do imóvel para então proceder a conceituação do seu projeto.