Church of Light, um belo exemplo de composição.





Lá se vão alguns bons anos desde os primeiros estudos de forma realizados na faculdade. De modo geral, os primeiros conhecimentos transmitidos buscam introduzir os princípios compositivos mais básicos da forma arquitetônica. Francis Ching, e seu Estudo da Forma, era a base de todo este início de formação arquitetônica. Por vezes, por ser um dos primeiros temas abordados, antes de muitos conhecimentos técnicos, há quem menospreze a sua importância em grandes projetos.

O arquiteto japonês Tadao Ando está aqui para nos comprovar e ensinar sobre a beleza resultante de uma aparente simplicidade compositiva. Seus projetos, quando observados sob a ótica de Ching, são uma aula para novos e já experientes arquitetos. Dono de um traço e expressão característicos, Ando explora no seu estilo, a precisão e o equilíbrio necessário a obra arquitetônica, que não precisa ser necessariamente tecnológica ou chamativa, podendo ser simplesmente elegante.

Observemos a Church of Light (Igreja da Luz), projeto de 1989, que fica nas proximidades de Osaka, no Japão, em Ibaraki.

No que se refere à organização espacial, Tadao Ando mistura o uso de Espaços Interseccionais com a Ligação de Espaços por um Espaço ou Objeto Comum. Os dois volumes retangulares são conectados por planos que rasgam os elementos ao mesmo tempo, planos que parecem originados da fragmentação de um terceiro elemento. Dispostos numa pseudo radialidade, marcada pela curva que une os volumes, os planos ora marcam o acesso de forma obliqua ora promovem subtrações perfeitamente estudadas para promover efeitos de luz e sombra. Efeitos estes que são intensificados pela exatidão em que ocorrem no projeto. Nada é exagerado ou demais. Os elementos ou mesmo a sua ausência estão perfeitamente inseridos dentro da lógica, do conceito do projeto, e ganham força pela própria sutileza de seu desenho. A raridade faz valer o efeito da luz, que preenche o espaço com a força do traço do arquiteto. Ao mesmo tempo, luzes e sombras remetem a dualidade característica do ser humano.

A hierarquia se faz presente pela sutil variação de tamanho, onde o maior possui a principal função. Poderia ser óbvio se não fosse a elegância com que foi desenhado. Recortes são claras subtrações que se fazem presentes para valorizar os volumes principais ou mesmo ou gestos do projeto, facilitando a leitura por parte do mais singelo usuário.

Ausente de adereços, reflete na forma a função do espaço em si: reflexão.

Equipe Capsula.

P.S. As imagens utilizadas neste artigo foram extraídas do Pinterest.