Desafios para a valorização do arquiteto e urbanista.

Em época de eleições para os Conselhos de Arquitetura e Urbanismo dos diferentes estados, vem à tona inúmeros discursos pela valorização da profissão do arquiteto e urbanista. Em que pese às inúmeras propostas que acompanhamos, me preocupa o fato de que, dos conselhos profissionais existentes, o CAU me parece o mais desunido.

A profissão do arquiteto e urbanista passa hoje pelo seu maior desafio no Brasil. As empresas de engenharia e empreiteiras foram contaminadas pela corrupção em ampla e larga escala. E mesmo frente a tudo isso, o Conselho pouco se manifestou para regatar para o arquiteto a função exclusiva sobre projetos arquitetônicos e urbanísticos. Na verdade, há anos atrás, o projeto urbanístico era exclusividade de urbanistas, hoje os engenheiros civis incrivelmente estão garantindo esta execução por que seu Conselho assim permite, mesmo sem ter disciplina curricular com este fim… O resultado entre outros é o que se vê nos jornais. Pergunto-me o que diria o CREA se da noite para o dia os Arquitetos e Urbanistas decidissem que estão aptos para fazer pontes (hoje exclusividade de engenheiros) por que o Conselho assim o quis.

Infelizmente reclamar e não propor soluções seria mais do mesmo e não queremos aqui trilhar este caminho. Ao contrário, queremos aqui propor ideias para que os representantes que venham a assumir o CAU ponderem sobre buscar estes direitos.

  1. Em licitações Públicas Projetos Arquitetônicos devem ser feitos exclusivamente por Arquitetos, com experiência comprovada em Acervo Técnico. Isto por que são profissionais com maior competência para tal. Veja bem, não vamos aqui discutir se os engenheiros civis podem ou não fazer projeto de arquitetura, mas é notório sim que os arquitetos são mais preparados para o desempenho da função e o projeto público deve primar pela melhoria dos projetos frente a tudo o que estamos vivenciando;
  2. Com vistas ao que se propõe no ítem a) , é importante que as Licitações Públicas prevejam os custos mínimos para a execução dos projetos, dentro das tabelas de honorários do Conselho de Arquitetura. Isto garantirá a qualidade do projeto. Hoje, incrivelmente, muitas licitações se baseiam em preços de projeto de arquitetura e urbanismo dados por entidades relacionadas à engenharia;
  3. Atendendo os itens a) e b), deve-se promover uma intensa fiscalização nas empresas participantes de licitações de modo a verificar o atendimento do valor básico de remuneração do arquiteto.

Entendemos que desta forma, apenas um dentre inúmeras propostas, cria-se a oportunidade de surgirem empresas de arquitetura, empresas que irão se manter com base em uma remuneração digna a todos os arquitetos que atuam, empregados ou arquitetos empresários.

O arquiteto é treinado durante toda a faculdade para o trabalho multidisciplinar, com diferentes temáticas e formas de abordagem. O lugar do arquiteto é, a exemplo do que ocorre em inúmeros outros países, na condição de coordenador de projetos e grandes obras, implantando as soluções de engenharia para servir à arquitetura.

Enquanto nosso conselho seguir perseguindo os arquitetos por “Reservas Técnicas” ao invés de promover a real valorização da profissão, muitos profissionais continuarão a depender sua remuneração (na maioria das vezes abaixo do mínimo) destes pagamentos irregulares, que só existem por que a arquitetura não recebe o devido valor.

Você por acaso já viu o Conselho de Medicina fazer “caça as bruxas” por que médicos recebem vantagens de laboratórios? Não, embora todos saibam que estas vantagens existem, conforme se divulga em tantas reportagens junto as redes de Televisão. Então, antes de brigar entre os colegas de profissão, é mais do que tempo de nos unirmos em prol de uma real valorização conjunta. Que possamos lutar para impor uma qualidade que sabemos que só os arquitetos e urbanistas podem promover.

A fiscalização deve vir de cada profissional que deve se impor contra qualquer outro que queria exercer a nossa profissão de modo irregular. E estas ações devem ser apoiadas pelo Conselho que deve refletir em si as necessidades dos arquitetos.

Hoje, infelizmente o que nós vemos, é a opinião de que o CAU não representa os arquitetos e urbanistas, ou pelo menos esta é a mensagem que foi transmitida correta ou não neste pequeno período de existência. Que estas eleições possam mudar esta percepção.

Equipe Capsula