Pinacoteca de São Paulo, há quase 20 anos um exemplo de reciclagem em prédio histórico.

Há muitos anos tive o prazer de conhecer a Pinacoteca de São Paulo. De fora da cidade, me senti incluída naquele espaço, encantada. Ainda era estudante nesta época mas aquele edifício como um todo se mostrou extremamente belo. Muitos não sabem o quão importante foi o impacto da intervenção do arquiteto sobre o prédio histórico existente, projeto que realizou junto com Eduardo Colonelli e Weliton Ricoy. Mais do que descascar o prédio, incluir visualmente elementos metálicos no conjunto, os arquitetos alteraram funcionalmente o espaço, a circulação nele, a forma de percebê-lo, conduzindo os usuários por dentro dos pátios internos. Passarelas, escalas, tudo conduz o usuário a perceber o prédio onde você está. Diferente de muitos, projetaram de modo a melhorar a edificação ao custo que fosse. Numa intervenção que poderia ser criticada, hoje se consagra como um projeto de sucesso.


Este é sem duvida um dos melhores exemplos de reciclagem de prédio histórico. Em um país como o Brasil, com mil e uma necessidades, como saúde, educação e segurança, antes da arquitetura e a história das cidade, viabilizar projetos que mantenham edifícios históricos mesmo com intervenções deve ser repensada por inúmeras prefeituras pelo Brasil. Uma breve análise nos permite perceber que inúmeros exemplares foram demolidos por ser inviável sua reciclagem. Prédios se perderam por que proprietário simplesmente não conseguiam mantê-los. Será mesmo que as cidades ganham ao se criar regras tão rígidas? Não seria melhor então submeter estes projetos, muitas vezes negados, mesmo os mais pequenos, a consultas públicas.
Muito já se perdeu do patrimônio histórico brasileiro. As cidades vem perdendo seus exemplares ao longo das décadas. Os arquitetos estão aqui para propor ocupações conscientes destes exemplares. Que possamos cada vez mais ver “pinacotecas” em nossas cidades.
Paulo Mendes da Rocha ganhou em 2006 prêmio pritzker. E em 2016, ganhou o Leão de Oura da Bienal de Veneza. Ele segue com a mesma coerência em seus projetos, o ser humano como protagonista. A ocupação do prédio do Sesc da 24 de Maio, um de seus projetos mais recentes, mantém este princípio. E com a ocupação, vem a valorização, vem o cuidado, vem a apropriação.
Equipe Capsula

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