Riscos de estruturas urbanas abandonadas.

Estruturas urbanas abandonadas não são privilégio de periferias como muitos podem pensar. Num dos cruzamentos mais movimentados da cidade, nos deparamos com uma estrutura que foi impactada por um temporal há pouco mais de 2 meses atrás e que agora parece contar os dias para desabar. O Crea, sempre mais presente nestes casos, notificou o Governo do Estado, proprietário do imóvel, sobre os riscos, assim como a prefeitura municipal, que também demonstra receio de eventual desabamento em caso de temporal, tendo multado o Governo do Estado. O resultado, porém, foi a decisão de vender o imóvel até fevereiro. Fica no ar o pergunta se o imóvel continuará ali, sem reforço, sem proteção, instável. Algumas notícias falam em demolição, mas por enquanto nada.

Relembrando o caso, e explicando melhor a quem não conhece o local ou entende pouco de estruturas.

Em 1 de outubro de 2017, num domingo, um forte temporal atingiu a capital do estado do Rio Grande do Sul, e destelhou parte do ginásio da Brigada Militar, estrutura que fica no cruzamento das avenidas Ipiranga e Silva Só. Devido a força dos ventos, parte da cobertura foi arrancada. As pessoas em geral não compreendem que

Foto: Deise Freitas / Defesa Civil / Divulgação / CP (link: http://www.correiodopovo.com.br/Noticias/Geral/2017/10/630192/Temporal-deixa-ginasio-da-Brigada-Militar-parcialmente-destruido)

Ao contrário do que em geral ocorre, não queremos aqui simplesmente alertar mas explicar o que pode ocorrer e o porquê. Quando uma estrutura é projetada e calculada, ela considera uma série de restrições e coeficientes de segurança. Entre eles, o vento. Neste sentido, a estrutura da Brigada claramente não resistiu aos ventos do temporal razão pela qual perdeu quase metade da sua cobertura. É importante entender que isto indica que o cálculo pode não ter aplicado a carga correta de vento, pode te-la desconsiderado, ou mesmo a carga pode ter ultrapassado o projetado. Mais grave ainda é que precisamos compreender que as terças da cobertura promoviam uma unidade ao conjunto, auxiliando a estrutura a trabalhar como uma grelha, como uma conjunto, auxiliando inclusive quando de distorções na estrutura causada por temporais. A partir do momento que parte desta estrutura não existe mais, o conjunto como um todo está mais fragilizado. E isto incluí não somente os oitões (paredes de fechamento), como o telhado e outros elementos da cobertura que podem literalmente sair voando e atingir todo o tipo de alvo. Outra aspecto que deve ser destacado é que uma vez sem a cobertura, a peça estrutural do oitão apresenta-se com esbeltez além do permitido pelas normas, razão pela qual não somente aparenta mas torna-se mais frágil como um todo, e principalmente mais suscetível à ação dos ventos.

Lembremos ainda que peças em concreto podem colapsar sem maiores avisos, o que torna a situação mais perigosa. Em especial por que não há quem responsabilizar tecnicamente em caso de desabamento. O projeto claramente não previa deixar a estrutura assim. Ou seja, não há atualmente nenhum responsável técnico pelo conjunto.

Segue o aviso, portanto, sobre o risco que todos que passamos por ali estamos correndo, ao mesmo tempo em que fica a pergunta, o que fazer quando o espaço já está sem uso, ou seja, quando não se pode sequer interditá-lo?

Foto de Capa de Ronaldo Bernardi / Agência RBS

Equipe Capsula