Diário de um Projeto, Protótipo de Casa Popular, estudos iniciais e os problemas iniciais.

A proposta do “Diário de um projeto” é trabalhar da forma mais realista o cotidiano da experiência profissional na área da arquitetura, algo que muitas vezes é muito, muito distante dos grandes e glamorosos projetos. Por isso, optamos por dividir a experiência de um projeto protótipo, de uma casa popular.

Embora desde a contratação (as vezes até antes), nós arquitetos já estejamos com várias ideias “fervilhando” a cabeça, muitas vezes rabiscadas em um guardanapo de bar, é preciso começar o projeto real, com medidas reais para confirmar se o projeto cabe no espaço e neste caso específico, nos custos. Passamos ao desenho em Autocad, estudamos muito a planta baixa de modo a melhor encaixar no espaço as funções que pessoas em geral precisam.

Sempre senti uma dificuldade em ver estas plantas de imóveis populares (ou mesmo de melhor padrão), onde os desenhos dos móveis claramente estão encolhidos para parecer maior. E você chega no imóvel de verdade, se depara com aquelas medidas onde nada entra, por vezes sequer um armário decente. Queremos propor justamente o contrário, propor um projeto habitável.

Simplesmente pelo fato de que alguém vai morar lá, e deve conseguir ocupar este espaço como qualquer pessoa.

Como qualquer projeto, no caso em questão estamos trabalhando com alguns condicionantes. O principal deles é o do limite de largura do terreno em 6 metros. Embora vários programas de habitações populares considerem o terreno até maior, em grandes aglomerados urbanos o valor da terra é bastante elevado e a frente do lote torna-o mais caro ainda. Para a conta fechar, estreitar os imóveis é uma estratégia viável economicamente.

Os outros condicionantes são:

  • ventilação natural nos espaços;
  • flexibilidade, com possibilidade de ampliação;

No caso do material utilizado, estamos trabalhando com duas espessuras diferentes de paredes: 15cm para paredes externas e 12cm para as internas, devendo o material ser submetido aos testes devidos para comprovação das resistências. Ganhamos espaços importantes.

Num primeiro momento, foi desenvolvida a distribuição de espaços,sendo que corte e fachada são reflexos diretos desta proposta sem nenhum trabalho formal.

Como nem tudo são flores, aconteceu neste projeto o que acontece muitas vezes na vida real, o cliente pegou a planta-baixa, a usou para pegar dinheiro da fábrica para a qual o projeto estava sendo desenvolvido e sumiu…

Incrível perceber como as pessoas agem como se o projeto se restringisse a apenas isso, a apenas a planta baixa.

Infelizmente para nós, o prosseguimento deste projeto ficou comprometido, no que se refere a este cliente. Uma opção surgiu, porém, devido ao contato direto com o fornecedor. Sim, por que a Fábrica e o material eram reais, e buscar as informações técnicas junto a eles, fez com que eles percebessem que nós também éramos reais, apesar do intermediário que estava entre nós estar buscando apenas se dar bem. Neste sentido, estamos agora negociando, como seguir com o desenvolvimento deste projeto, e até outros.

Foi a própria limonada, a partir do limão!

Se agora o desenvolvimento se dará de forma mais lenta, ao mesmo tempo acontecerá de forma mais sólida.

Equipe Capsula